Origens da Umbanda Parte 2 de 3
Origens
da Umbanda (Parte 02) - Esse texto foi dividido em 03 partes sendo essa
a segunda, fiquem acompanhando, em breve será disponibilizado no site a
parte 03.
A Cabula
Na
época da escravidão, houve um sincretismo afro-católico, principalmente
nas áreas rurais da Bahia e do Rio de Janeiro, denominado Cabula.
Segundo pesquisas de historiadores, refere-se aos rituais negros mais
antigos, envolvendo imagens de santos católicos sincretizados com os
Orixás, herança da fase reprimida nas senzalas dos cultos africanos,
onde os antigos sacerdotes mesclavam suas crenças e culturas com o
catolicismo e as tribos indígenas para conseguirem praticar e perpetuar
sua fé. Quando no final do século XIX ocorre a libertação dos escravos, a
Cabula já era amplamente presente como atividade religiosa
afro-brasileira. Este sincretismo foi mantido após a anunciação da
Umbanda em 1908 pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Ritual
A
Umbanda tem herança na Cabula, pois mantém forte a presença do Orixá em
sua pratica doutrinária. A Cabula era muito temida, pois foi usada
pelos negros como força revolucionária nos seus confrontos com os
fazendeiros. A cabula era um ritual para abater os inimigos com feitiço,
executando continuamente líderes escravagistas, especialmente aqueles
que perseguiam os negros fugidos da senzala. Era, em verdade, um
instrumento de luta manejado por um guerreiro invisível e intangível, de
demônios constituídos. O ódio era maior, principalmente, se esse
feiticeiro fosse remanescente dos vindos da África. Segundo um dos
maiores especialistas em assuntos da África, o jornalista polonês Rysard
Kapuscinski, os povos africanos são regidos por forças sobrenaturais.
São forças concretas, espíritos que têm nomes e encantos. São eles que
definem o curso e o sentido da vida, sentenciam o destino de cada um e
tudo decidem. Realmente esse sentido de magia afro, guardadas,
evidentemente, as devidas distâncias, tem tudo a ver com a nossa cabula,
cujo ritual nos é contado agora por um antigo adepto, João de Deus
Falcão dos Santos, mestre do Ticumbi, mas criado dentro de uma mesa de
Santa Maria (a própria da Cabula):
“-”
Começava a cabula com o cambone, que é o secretário do cabuleiro,
forrando o chão com uma toalha branca. Colocava os santos sobre ela,
botava os cordões e também as facas. Os participantes amarravam uma fita
branca na cabeça. O cabuleiro era quem fazia a sessão, sempre à noite,
pois a noite traz segurança e tranqüilidade aos espíritos. O cabuleiro
trabalhava nela e o cambone seguia as suas ordens. O povo da mesa só
cantava e rodava. Então se dava a incorporação de caboclos e pretos
velhos,, cantava-se: Divino vai, Divino vai, Divino vai/Eu vou dar o meu
licaço (uma roda) /O cambucito vai embora/eu vou dar o meu licaço/é o
santé, o caboclo que está no corpo de fulano. Aí o pessoal da roda fazia
os pedidos. O cabuleiro receitava para tratar de doenças. A primeira
parte da cabula era só para fazer o bem, como a cura dos doentes. Depois
entrava a parte para abater os inimigos.”
Manter
o segredo sobre o ritual era como uma lei para não ser desobedecida
nunca pelos seus adeptos. Há inúmeras histórias de adeptos da cabula
presos e torturados pela polícia, mas que jamais revelaram os segredos
de seus rituais. A longevidade da cabula andou, inclusive, por conta
desse pacto da sociedade negra para com a sua religião.
.
Mas ai nós já estamos em meados do século XX, quando a cabula passa a
sobreviver com outros propósitos. Mas o seu começo foi realmente o de
servir à luta pela libertação dos escravos. Sua eficiência foi tamanha
nesta etapa que o governo da Província, instigado pelo padre da região,
Duarte Pereira Carneiro, instituiu a guerrilha de São Mateus para o
extermínio da cabula. Por esse tempo, a cabula havia crescido muito,
tinha deixado de ser apenas religião dos negros fugidos, passando a ser,
também, dos negros libertos e praticamente de toda a população negra. A
partir desse novo contingente de freqüentadores, ela dedicou-se também
ao culto aos seus heróis revolucionários, com a sistemática encarnação
nos cabuleiros dos espíritos revolucionários de Benedito Meia Légua,
Negro Rugério e Maria Clara do Rosário.
Por
esse período da grande afluência dos negros a cabula, que vai da
abolição da escravatura (1888) ao inicio do século XX, passando pela
transição da Monarquia para a República, o bispo d. João Batista Nery
conseguiu que o governo pusesse em execução a maior perseguição policial
a cabula, sob suspeita, novamente, de que ali estaria também para
surgir um novo Canudos, com outro fanático à frente do tipo de Antonio
Conselheiro. A intervenção do bispo chegou ao ponto de fazer o governo
considerar a cabula uma atividade criminosa. E a cabula defendeu-se
caindo na clandestinidade, disfarçando sua atividade na prática do
espiritismo, que era tolerado pelas autoridades policiais. Essa situação
durou até os anos 20, quando veio a surgir, no sertão de Itaúnas, um
branco, atuando também na mesa de Santa Maria. Tratava-se de um
fazendeiro, de origem portuguesa, de nome Duca Tora.
Ficaria
famoso como curandeiro, milagreiro, mas que, segundo o seu parente
Lauro Vasconcelos Nascimento, de 87 anos, todo mundo conhece em Itaúnas
como “seu Dodozinho”. Duca Tora era um cabuleiro que jamais tratou do
mal na sua mesa de Santa Maria. Acabou sendo por isso usado pela elite
para incentivar ainda mais o combate a cabula dos feiticeiros negros.
No
Rio de Janeiro de então e antes da origem oficial da Umbanda, eram
comuns práticas afro-brasileiras similares ao que hoje ainda se conhece
como Cabula e Almas e Angola. Cremos que o surgimento da Umbanda
forneceu as normas de culto para uma prática ritual mais ordenada,
orientada para o desenvolvimento da mediunidade e na prática da caridade
com Jesus em auxílio gratuito a população pobre e marginalizada do
início do século passado. Mas é fato que alguns dos espíritos pilares da
Umbanda, principalmente na linha de pretos velhos eram espíritos que se
apresentavam nas mesas de cabula assiduamente tais como: Pai José de
Angola, Pai Antonio, Pai Benedito de Angola, Pai Joaquim de Angola, Pai
Tomé, Pai João e outros, que ajudaram a formar as bases e edificar a
nossa Umbanda.
O Omolokô
Omolokô é uma palavra composta que deriva de duas outras, oriundas da língua Iorubá com três versões distintas, segundo sua interpretação :
No primeiro ramo de análise, que é a versão da Srª Léa Maria Fonseca da Costa, Mãe-de-santo de Omolokô quer dizer:
“Omo” que significa “Filho” “Loko” referindo-se a árvore Iroko e tem o sentido de algo como “Filhos da Gameleira Branca”.
No
segundo ramo de análise, que é a versão do Srº Tancredo da Silva Pinto,
Tatá Ti Inkice (pai de santo de Angola), em seu livro Culto Omolokô -
Os Filhos de Terreiro - "Omolokô significa:
“Omo”
-Filho e “Oko” - Fazenda, zona rural onde esse culto, por causa da
repressão policial que havia naquela época, os rituais eram realizados
na mata ou em lugar de difícil acesso dentro das fazendas dos donos de
escravos.
Por fim, pode-se ainda
relacionar o significado da palavra Omolokô também ao Orixá Okô, o orixá
da agricultura, que era adorado nas noites de lua nova pelas mulheres
agricultoras de inhame. Antigamente, o Orixá Okô era muito cultuado no
Rio de Janeiro.
Talvez por causa
disso hoje temos as denominações de “terreiro e roça” para os lugares
onde os cultos afro-brasileiros são realizados. Nesse culto os orixás
possuem nomes yoruba (Nagô), seus assentamentos parecem-se com os do
Candomblé
Independente das versões é
sabido que o nome Omolokô define um culto originário do Rio de Janeiro
com práticas rituais e de culto aos Orixás e que aceita cultos, aos
Caboclos, aos Pretos Velhos e demais Falangeiros de Orixás da Umbanda. O
culto Omolokô é apontado por estudiosos do assunto e praticantes como
um dos principais influenciadores da formação da Umbanda ao lado da
Cabula e da Macumba Carioca. Teria surgido, segundo Tancredo da Silva
Pinto entre o povo africano Lunda-Quiôco. É chamado erroneamente de Umbanda Omolokô, pois se difere desta por ter características singulares aos seus preceitos tais como matanças, vestimentas, etc.…
O
Omolokô possui ritualística própria, portanto não se pode caracterizar
qualquer Umbanda africanizada como tal. Seu representante mais
expressivo é o tatá Tancredo da Silva Pinto já falecido, estafeta dos
correios, morador do morro São Carlos, que foi um grande estudioso e
escritor do livro Culto Omolokô: Os Filhos de Terreiro. Porém figuras em
tamanha importância, relatam a existência do Omoloko, tais como a
escrava Maria Batayo e a filha de escravos Léa Maria Fonseca da Costa
que preservaram o Omolokô dissociado da Umbanda como aborda Tancredo da
Silva Pinto.
A diáspora dos orixás
cultuados no Omolokô é a mesma utilizada pelo Candomblé e sua
organização dogmática o faz diferir também por isso da Umbanda que os
cultua em número menor e de forma majoritariamente sincrética.
Algumas
pessoas se confundem sobre o que Omolokô. “Omolokô é Umbanda ou
Candomblé?” A resposta só poderia ser uma única: Omolokô não é Umbanda
apesar de aceitar em seus rituais o culto a Falangeiros. O Omolokô
cultua os Orixás com suas cantigas em Yorubá ou Angola, pois como já foi
dito anteriormente esse ritual houve forte influência também por estas
duas culturas. Porém, como se pode ver, o ritual Omolokô não poderia ser
encaixado no grupo dos Candomblés, pelo principal motivo de que no
Omolokô são cultuados, ainda que em situações separadas, os Caboclos,
Pretos Velhos dentre outros, aceitando-se a realização de práticas
ritualísticas de Umbanda em um mesmo solo. Há quem defina erradamente o
Omolokô como “Umbandomblé”, ou como “Candomblé Umbandizado” ou ainda
como “Umbanda Candombleizada, porém, definições adaptáveis apenas às
casas de Omolokô que fundem seus cultos, uma vez que existem aqueles que
não misturam tais práticas.
No
culto Omoloko os orixás possuem nomes yoruba (nagô). Seus oriki (tudo
aquilo que se relaciona ao orixá), e oruko (nome) são trazidos através
do jogo de búzios, também chamado Jogo de Ifá. Seus "assentamentos" são
semelhantes aos feitos no Candomblé Nagô, e os Exus são feitos de
argila, a semelhança de uma pessoa, ou então, simbolicamente, em ferro.
O
orixá Oko era assentado junto com Oxossi, o que dá maior consistência a
origem do culto Omoloko, fortemente influenciado pelo orixá Oxossi,
cujo culto permaneceu com sua cultura melhor conservada no contexto
religioso dos negros afro-brasileiros. O culto a Oxossi é de extrema
importância na nação Omoloko, por isso é extremamente forte o culto
dedicado aos "Caboclos". Uma cantiga exprime esse fato com muita propriedade:
“O dono da mata é Oxossi, Protetor dos Caboclos de Umbanda,
Aruê, aruê,
Seu Pena Verde é quem vence demanda,
Seu Pena é um Caboclo valente,
Arrebenta a corrente,
Meu Pai Oxalá,
Seu Pena Verde é cacique de tribo,
Derrota o inimigo do lado de lá...:
Na
África os sacerdotes deste culto realizavam suas liturgias em noites de
lua cheia sob a copa de uma frondosa árvore carregada de frutos
parecidos com maçã.
Segundo
Tancredo, o culto Omoloko chegou ao Brasil proveniente do sul de
Angola, onde era praticado por uma pequena tribo pertencente ao grupo
Lunda-Quiôco, que habitava ficava às margens do rio Zambeze, que lhes
fornecia alimentação no período das cheias. Os Lunda-Quioco chamam o rio
Zambeze de Zambi.
Outra
associação que podemos fazer entre os nomes Loko e Omoloko é a sua
relação ao vodun cultuado pelo povo Fon (Gêge), que tem como
correspondente yoruba o orixá Iroko, e que por sua vez, corresponde ao
Inkice(Orixá) Tempo na nação Angola. Na época em que os cultos
religiosos de origem africana eram proibidos, esse orixá foi
sincretizado a Santo Onofre, para disfarçar o seu culto africano. Assim
como se pode ver, ainda hoje os rituais de Umbanda sofrem forte
influencia dos ritos do Omoloko.
A Macumba Carioca
Com
a abolição da escravatura em 1888, o governo brasileiro deu a liberdade
aos milhares de escravos que havia no Brasil sem um plano de apoio as
novas condições a que os negros foram submetidos. Enquanto escravos
tinham tratamento de saúde ,alimentação e moradia, libertos perderam
esses direitos e tiveram que viver por sua própria conta. Consta que no
Rio de Janeiro de então havia cerca de 1500 negros libertos, a estes
foram se juntar um contingente muito maior formados pelos libertos das
fazendas de café e cana de açúcar existentes no em torno da cidade
avançando pelo interior passando pelo Espírito Santo e sul da Bahia.
Estes negros vinham para a cidade grande atraídos por melhores condições
de emprego já que as fazendas preferiam contratar mão de obra branca de
imigrantes europeus.
O contingente
negro baiano, que chegou ao Rio de Janeiro através da migração interna,
no final do século XIX, atraído pelas condições da cidade, devido à sua
modernização como capital da República e à sua fama de tolerância, vai
modificar substancialmente a fisionomia da cidade, incrementando traços
próprios de sua cultura. Esses migrantes vão se localizar perto do Cais
do Porto, Saúde e Gamboa, onde a moradia era mais barata, não só por já
ser local de fixação de outros grupos negros, mas, sobretudo pela
proximidade do porto, onde podiam mais facilmente encontrar empregos na
estiva. Aí formaram uma comunidade conhecida como a Pequena África, onde
suas manifestações culturais puderam ser preservadas, legando à cidade
um valioso patrimônio cultural, destacando-se especialmente através da
música e da religião.
Trouxeram para o Rio de Janeiro, através da migração, o culto dos orixás.
Com eles chegaram muitos líderes religiosos e grupos festeiros,
responsáveis pelo desenvolvimento dos Candomblés e por inúmeras
associações carnavalescas.
A área
onde se instalou essa comunidade constituía-se em uma das partes mais
antigas da cidade e, por esse motivo, encontrava-se abandonada pelos
setores dominantes. Eram velhos casarões, transformados em
casas-de-cômodo, as conhecidas “cabeças-de-porco” ou cortiços, que
também se estendiam pelas adjacências da Praça Onze e adentravam o
centro da cidade.
Esse Rio de
Janeiro, eminentemente negro, afrontou a elite dominante carioca, que
seguia o modelo europeu. A única forma de branquear a cidade e torná-la
compatível com a ideologia positivista foi a de iniciar o processo de
modernização, mandando demolir os prédios antigos, afastando dessa forma
seus ocupantes.
O projeto
modernizador da cidade, implementado a partir do início do século XX,
obrigou o translado de vários grupos para locais então periféricos. Com o
centro da cidade demolido, surgiu a opção para a Cidade Nova. As
favelas, construídas com materiais dessas demolições, absorveram grande
parte dessa população. Outro contingente expressivo se encaminhou para
os subúrbios cariocas, como Madureira, Coelho da Rocha e outras
localidades da Baixada Fluminense.
Agenor Miranda da Rocha, conhecido como Oluo
(adivinho), escreve suas memórias, vivenciadas em mais de noventa anos,
enumerando e localizando as primeiras casas-de-santo do Rio: Mãe Aninha
de Xangô funda sua Casa no bairro da Saúde em 1886, depois
transferida para São Cristóvão, instalando-se definitivamente em Coelho
da Rocha; João Alabá (Omolu), na Rua Barão de São Félix, Saúde; Cipriano Abedé (Ogum), na Rua João Caetano; Benzinho Bamboxê (Ogum), na Rua Marquês de Sapucaí.
Uma das comunidades Jêje encontradas no Rio de Janeiro à época era a de Rosena de Bessein (Azinossibale);
africana natural de Allada, que funda o terreiro Kpódagbá no bairro da
Saúde, que foi herdado por sua filha- de- santo Adelaide do Espírito
Santo, também conhecida como Untinha de Olá (Devodê), que tornou – se a
Mejitó do terreiro e transferiu a Casa-de-Santo ou Terreiro para o
bairro de Coelho da Rocha. Com o falecimento desta Mejitó (sacerdotisa),
assumiu Glorinha de Oxum, mas conhecida como Glorinha Tokueno, herda o
terreiro, e atualmente o Kpádagbá está localizado na Rua Julieta nº. 12 –
Abolição. Então fruto dessa migração interna e desse assentamento de
comunidades negras se misturam em profusão ritos e cultos de diversas
nações.
Candomblés diversos,
adivinhos, terreiros de Omoloko, Casas de Cabula, adivinhos, feiticeiros
de todos os matizes, pajelanças etc.
Tudo
isto é colocado dentro de um mesmo caldeirão religioso que se tornou a
cidade do Rio de Janeiro. Junte-se a isto o Espiritismo que aqui chegou
por volta de 1873, trazido pelas elites e logo absorvido pelo caldeirão.
A cidade então ferve misticismo, tudo é feitiço e magia. Proliferam em
abundancia as casa espíritas chamadas de centros, mas também aumentam o
charlatanismo e a mistificação.
Havia
o culto as deusas do mar, prática disseminada nas colônias de
pescadores existentes m toda a Baía de Guanabara . Viviam todos muito
calmos, sem saber do resto do mundo. Enfim, uma classe à parte, com
festas próprias, que não se afasta do oceano e é unida pelo culto do
mar. Havia colônias só de portugueses, como a de Santa Luzia e de Santo
Cristo, de portugueses e brasileiros, como em Sepetiba, de italianos
apenas, e de brasileiros sómente. Uma série de núcleos ligados pela
crença. São outros homens. Nascem de mães pescadoras, partejadas quase
sempre por curiosas, vivem nas praias, nunca as abandonam. Aos quatro
anos nadam, aos dez remam e acompanham os parentes às pescarias, e assim
passam a existência, familiarizados apenas com as redes, os apetrechos
de pesca e o calão, o pitoresco calão marítimo.
“O
oceano imprime-lhe um cunho especial, são propriedades do mar. Nunca
reparaste nos pescadores? Têm os pés diferentes de todos, uns pés
contráteis que se crispam nas pranchas como os dos macacos; andam a
bambolear, balouçando como um barco, e a sua pele lustrosa tem o macio
grosso dos veludos. A alma dessa gente conserva-se ondeante, maravilhosa
e simples.Não há nenhum que não tema a Mãe-d'Água, a Sereia, os Tritões
e não respeite a Lua.”Existiam três manifestações desse culto. A
Mãe-d'Água entre os pescadores de Santo Cristo e de Santa Luzia, a da
Lua e do Mar e a do Arco-Íris.
Bem
meus amigos e irmãos de fé, foi neste ambiente e com estas influencias
que surgiu a nossa querida Umbanda através da incorporação do Caboclo
das Sete Encruzilhadas no médium Zélio Fernandino de Moraes em 1908 no
Largo das Neves em São Gonçalo, Niterói cidade costeira da Baía de
Guanabara.
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